A Artsoul reúne no JK Iguatemi uma seleção de objetos em madeira que unem design autoral brasileiro, artesanato e memória afetiva.
O material como ponto de partida
A mostra parte de uma premissa direta: o material não é resultado, é origem. Madeiras como Peroba Rosa, Freijó, Imbuia, Pau Marfim e Jacarandá chegam com grão, cor e densidade próprios. Dessa forma, cada projeto nasce do caráter irrepetível de cada peça.
Pedra-sabão, crochê, camurça e metal entram em cena onde a madeira convida. Além disso, o acervo nasce de um olhar curatorial que percorre ateliês, conhece processos e escolhe com critério o que merece integrar o espaço.
Luminária Totem: gesto e ritual
A Luminária Totem combina madeira torneada de veio expressivo, pedra-sabão e crochê manual sobre estrutura em metal. Sua silhueta empilhada evoca a lógica dos totens: elementos distintos que, sobrepostos, constroem um significado maior.
O crochê, técnica de raiz popular, é aqui recontextualizado com estrutura e escala próprias. Por fim, cerca de oito horas de trabalho manual são depositadas em cada unidade, tornando cada peça um encontro entre tradição e contemporaneidade.
Luminária Zig: leveza e precisão
A Luminária Zig tem forma delicada por intenção: braço inclinado sobre base circular, tudo em madeira maciça com difusor torneado. O acabamento em latão e o cabo revestido em tecido completam a composição com refinamento.
Produzida em pequena escala, cada peça percorre o caminho completo do material ao acabamento. Assim, o LED bivolt embutido com luz branca e quente torna a Zig companheira natural de mesas de leitura, home offices e cabeceiras.
Objetos que existem para ser contemplados
A seleção inclui peças lúdicas que vão além da função. A máquina fotográfica em Peroba Rosa e Pau Marfim combina duas madeiras de personalidades distintas e transforma uma forma conhecida em objeto de contemplação.
Os jogos de xadrez aparecem em dois registros: um, em grande escala com peças de Jacarandá de caráter escultórico; outro, com inspiração Bauhaus, usando cones em Imbuia e Pau Marfim. Dessa forma, a iconografia clássica é reinventada sem abrir mão da lógica do tabuleiro.
O Caju, esculpido em Freijó e Maracatiara, evoca as caixas de doce vendidas em mercearias do interior nordestino. No mesmo registro afetivo, o Cachorro Baleia, esculpido por um artesão do sertão, homenageia a cadela de Vidas Secas, de Graciliano Ramos.
Por fim, o Passarinho Newborn encerra o grupo com uma característica única: cada unidade é composta por um mix de madeiras nobres escolhidas conforme disponibilidade. Portanto, são as madeiras que, juntas, decidem o resultado final.
Réguas e quadros em camurça
As réguas e quadros combinam o Freijó, de veio marcado e tom dourado, com camurça estampada. O resultado é um objeto que é, ao mesmo tempo, matéria e mensagem.
As frases que carregam funcionam como declarações de afeto e valores. Dessa maneira, a escolha de uma frase específica entre as diversas opções disponíveis torna-se, em si, um gesto de atenção a quem recebe.
Foto: Divulgação


