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Sistema inédito redefine acessibilidade em prédios

Sistema inédito redefine acessibilidade em prédios

Sistema de ruas e rampas independentes internas permite estacionar o carro em garagem exclusiva, anexa ao apartamento, sem a dependência de elevadores veiculares | Crédito: Divulgação Beco Castelo

Sistema Park Haus integra garagem ao apartamento e amplia acessibilidade em residenciais, trazendo mais autonomia e inclusão no dia a dia.


Novo protagonismo na construção civil

A acessibilidade ainda é um dos principais desafios da construção residencial no Brasil. Apesar de uma legislação considerada avançada, o tema muitas vezes não é tratado como parte essencial dos projetos. Nesse contexto, surge o sistema Park Haus, uma inovação arquitetônica que propõe integrar mobilidade, autonomia e conforto ao cotidiano dos moradores.

Desenvolvido por uma construtora de Santa Catarina e registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), o modelo cria um conceito inédito de circulação: ruas internas e garagens individuais conectadas diretamente aos apartamentos.

Como funciona o sistema Park Haus

O diferencial do Park Haus está na criação de rampas independentes que permitem ao morador acessar sua unidade com o próprio carro, sem a necessidade de elevadores veiculares ou deslocamentos complexos.

A proposta vai além da praticidade. Ao permitir acesso direto entre garagem e apartamento, o sistema amplia a autonomia, especialmente para pessoas com mobilidade reduzida, idosos ou famílias em diferentes fases da vida.

“Nós partimos da ideia de que acessibilidade é autonomia”, explica José Castelo Deschamps, sócio-fundador da Beco Castelo e idealizador do projeto. “O objetivo não é colocar o carro como protagonista, mas como um meio de garantir conforto, segurança e controle do próprio tempo. Isso é especialmente importante para pessoas com mobilidade reduzida, idosos ou famílias em diferentes fases da vida”, acrescenta o inventor.

Um cenário que exige soluções inclusivas

O debate sobre acessibilidade reflete uma realidade ampla no país. Segundo especialistas, o Brasil reúne milhões de pessoas que dependem, em algum momento, de ambientes adaptados — seja por deficiência permanente, idade avançada ou limitações temporárias.

“Hoje, o maior desafio da acessibilidade não é técnico — é cultural”, afirma a arquiteta e urbanista Mariana Bunn. “A construção civil ainda enxerga a acessibilidade como algo caro ou complicado. Quando ela não é pensada desde o início do projeto, vira um remendo. Isso gera perda estética, aumento de custos e até atrasos na aprovação. Mas quando a acessibilidade é integrada à concepção arquitetônica, ela qualifica o espaço e agrega valor real ao imóvel”, pontua.

Acessibilidade como parte do projeto, não como adaptação

O conceito do Park Haus dialoga diretamente com o Desenho Universal, abordagem que propõe soluções inclusivas desde a origem do projeto, atendendo diferentes perfis de usuários sem necessidade de adaptações posteriores.

Para Mariana Bunn, esse é o ponto central da inovação: integrar estética, funcionalidade e inclusão em um único sistema.

“A acessibilidade contemporânea se apoia em três pilares: autonomia, conforto e segurança. Hoje, falamos também de estética, porque a acessibilidade bem feita não é improvisada — ela faz parte do desenho. Isso está alinhado ao Desenho Universal, que propõe soluções que funcionam para todas as pessoas, sem adaptações posteriores.”

Mais do que conforto: impacto no dia a dia

Além da acessibilidade, o sistema incorpora soluções técnicas como ventilação natural, piso de alta resistência, atenuação acústica e pé-direito ampliado, permitindo inclusive a circulação de ambulâncias e veículos de serviço até os pavimentos residenciais.

O resultado é uma experiência mais fluida, segura e funcional, que transforma a relação dos moradores com o espaço.

“Muitas pessoas deixam de sair de casa não por falta de vontade, mas por saberem que vão encontrar barreiras físicas, sem contar o comportamento das outras pessoas. É comum ouvir que ‘não aparecem pessoas com deficiência’. Elas não aparecem porque o ambiente não as acolhe”, observa a arquiteta.

Um modelo com potencial de transformação

O Park Haus estreia em um novo empreendimento no bairro Cacupé, em Florianópolis, com outros projetos já previstos na capital catarinense. A patente garante exclusividade e possibilidade de licenciamento por até 20 anos, abrindo caminho para expansão da solução em outras regiões do país.

Ao propor um novo olhar sobre circulação e uso dos espaços residenciais, o sistema aponta uma mudança de paradigma: tratar a acessibilidade como elemento central do projeto, e não apenas como exigência legal.

“Um empreendimento sozinho não resolve todos os desafios urbanos, mas ele cria referência, mostra que é possível projetar de forma mais humana, mais alinhada à diversidade real da população. O impacto aparece no cotidiano: mais independência, mais convivência social, mais pertencimento. Acessibilidade é qualidade de vida”, conclui Mariana Bunn.

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