A chegada de um bebê é como o acender um novo capítulo na vida. Os ambientes, que antes eram apenas cenários da rotina dos adultos, agora precisam ser repensados para acolher e proteger.
E para muitos papais de primeira viagem, essas mudanças podem parecer desafiadoras, mas contar com a experiência de quem vive essa fase ajuda a tornar o processo muito mais leve.
É o caso do arquiteto Bruno Moraes, à frente do BMA Studio, que recentemente virou pai do primeiro filho e compartilha conselhos valiosos para criar um lar que cresce junto com o bebê, além de pontuar em detalhes as adaptações que realizou na própria casa.
Sem dúvidas, entre os ambientes que mais demandam atenção, o quartinho do bebê ocupa o primeiro lugar. Mas para quem pensa que confirmação de gravidez já é sinal para sair comprando tudo de uma vez, Bruno acalma os ânimos e lembra que, no começo, tudo o que os pais precisam são de elementos básicos: o bercinho, o trocador e uma poltrona de amamentação para conforto da mãe.
“Esses três móveis já formam a estrutura inicial para acolher um recém-nascido. Outros itens podem ser inseridos conforme a rotina da família se ajusta”, afirma o arquiteto.
No entanto, segundo o profissional, o grande erro de muitos pais é planejar o quarto apenas para os primeiros anos de vida. Para ele, o segredo é criar um projeto versátil, capaz de acompanhar o crescimento da criança e evitar reformas frequentes.
“Eu sempre recomendo pensar em dois layouts: um para a fase de recém-nascido com os itens essenciais que falamos acima e outro para quando a criança crescer, com cama, escrivaninha e até espaço para uma televisão. Foi o que fiz no quarto do meu filho. Todas as tomadas, pontos de luz e até a previsão de um painel de TV já foram planejados com antecedência, assim a casa pode acompanhar a vida da criança, em vez de se tornar um espaço limitado”, explica Bruno.
Essa visão evita improvisos futuros e garante que o investimento em marcenaria, iluminação e infraestrutura elétrica tenha longa durabilidade.

Além disso, outra possibilidade que vem ganhando cada vez mais espaço entre os pais é o quarto montessoriano, um tipo de método pensado para estimular a autonomia da criança desde cedo. “É um tipo de pensamento onde o mais importante é respeitar o tempo da criança. Quando trazemos isso para a arquitetura significa móveis são baixos e acessíveis, permitindo que o pequeno pegue seus brinquedos, escolha um livro ou até suba sozinho em sua caminha”, diz.
O banheiro também requer atenção, tanto para o conforto dos pais quanto para a segurança do bebê. Questões como o tamanho do box para acomodar a banheira e o acesso à água quente devem ser observadas, de preferência, com antecedência.

“Quando reformei o banheiro do segundo quarto, aumentei o box justamente pensando se um dia caberia a banheira do bebê ali. Outra ressalva é não investir em vasos sanitários ou pias em altura infantil, pois criança cresce rápido, prefiro orientar os pais a usar banquinhos ou caixotes”, sugere o arquiteto.
A climatização também merece cautela. O choque térmico entre um banho quente e um quarto frio pode gerar desconforto e até problemas de saúde para o bebê. Para evitar isso, Bruno instalou um ar-condicionado com aquecedor no quarto do filho, pensando na troca de temperatura do inverno, mas uma solução mais econômica pode ser o uso de aquecedores portáteis.
À medida que o bebê começa a engatinhar e andar, os móveis e objetos decorativos se tornam parte do universo dele e, por isso, a segurança doméstica se torna prioridade, pois os riscos vão muito além de tomadas e escadas, e abrangem também móveis soltos, quinas e objetos de decoração.
“Temos que analisar os móveis que podem tombar. Aqui em casa já mapeei as quinas da marcenaria que vão receber protetores de silicone quando meu filho começar a andar. Além disso, objetos de vidro e louças que hoje estão em prateleiras baixas terão que ser guardados ou reposicionados”, diz Bruno, mas lembrando que essa adaptação é gradual. “Isso será feito na hora certa, não faz sentido retirar tudo agora, já que recém-nascidos não têm acesso a esses itens”, explica.
Além do planejamento e da segurança, a saúde é outro fator fundamental. Muitas pessoas nem imaginam que escolhas aparentemente inofensivas podem afetar o bem-estar do bebê, como uma tinta com solvente ou um piso que libera partículas químicas ao sol.
“Quando projetamos a casa, mas principalmente o quarto de bebê, precisamos projetar saúde em todos os seus aspectos, por exemplo, pouca gente sabe que a babá eletrônica posicionada muito perto do berço pode interferir na qualidade do sono do bebê”, alerta Bruno Moraes.
Por isso, o profissional listou alguns cuidados para um quartinho saudável:
· Tintas e acabamentos: optar por produtos à base de água, livres de solventes e odores fortes;
· Pisos e revestimentos: evitar materiais que liberem quaisquer substâncias químicas, pisos de madeira envernizada e vinílicos precisam ser analisados com atenção;
· Têxtil: lavar cortinas, roupas de cama e enxoval do bebê antes do uso, pois podem conter toxinas da fábrica;
· Iluminação: preferir luminárias dimerizáveis e luzes suaves que respeitem o ciclo circadiano do bebê e favoreçam o sono;
· Campos eletromagnéticos: além das babás eletrônicas, tomadas precisam ser afastadas do berço.
Em resumo, adaptar a casa para a chegada de um bebê é um processo que acontece em etapas, acompanhando o crescimento da criança e também a evolução dos pais nessa nova rotina. Pequenas mudanças de segurança e conforto vão se somando ao longo do tempo, transformando o lar em um espaço cada vez mais acolhedor.
“Não coloquei telas nas janelas ainda, mas já o tapete, fiz questão de providenciar, tanto no quarto quanto na sala. O bebê vai passar muito tempo no chão, e o piso frio pode causar desconforto. Inclusive, desenhei o tapete do quartinho dele, personalizando com as cores do ambiente”, conta o arquiteto.
Além disso, os primeiros meses passam muito rápido e alguns itens serão perdidos. Para evitar a perda do investimento, o profissional compartilha a ideia da reutilização, por exemplo, com a poltrona de amamentação. “Optei por comprar uma poltrona de segunda mão, onde a mãe que vendeu usou muito pouco. Troquei todo o tecido e personalizei com as cores do quarto. Não fazia sentido comprar uma nova pra usar dois anos e depois descartar. Dá pra economizar e ainda manter tudo bonito”, indica.
Bruno também reforça que manter a casa organizada de forma funcional faz toda a diferença, pois com um bebê em casa, a rotina fica mais intensa e ter cada coisa em seu lugar ajuda muito, desde fraldas e roupas até brinquedos. “Essa organização prática dá mais tranquilidade para os pais e mais conforto para o bebê”, conclui.
Afinal, mais do que um espaço bonito, um lar precisa ser um ambiente de amor, crescimento e proteção.
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